Governo lança campanha "Diz não ao aborto" nas escolas
“O aborto é um flagelo da sociedade em que vivemos e deve ser erradicado da vida dos portugueses,” referiu Bagão Félix, tendo David Justino acrescentado que “Eu também acho.” A campanha destina-se aos jovens e estará em breve em todos os estabelecimentos de ensino do país desde o nível básico ao ensino superior, procurando-se incutir desde muito cedo a ideia de que “o aborto é foleiro.” De acordo com o ministro da Segurança Social, “apesar das críticas que existam vindas de uma minoria insignificante da população, é um facto que não podemos continuar a ter as nossas cidades cheias de gente de todas as idades a abortar por dá cá aquela palha em qualquer viela menos iluminada,” acrescentando que “os portugueses têm de perder o gosto pelo aborto custe o que custar, apesar de sabermos que é difícil abandonar alguns vícios.” Foram contactados especialistas em publicidade em colaboração estreita com psicólogos, professores, jogadores de hóquei em campo, naturistas, rãs e campinos do Ribatejo, num esforço para conseguir reunir uma amostra significativa da opinião pública portuguesa. O esforço centrou-se sobretudo na campanha dirigida aos mais novos, tendo-se procurado um modo de aligeirar o aborto para não traumatizar mentes impressionáveis mas mantendo o alerta para os seus perigos e para as consequências nefastas que pode ter tais como infertilidade, dependência ou ida directa para o Inferno sem direito a passagem pelo Purgatório. Os elementos centrais da campanha “Diz não ao aborto” na sua vertente infantil são dois simpáticos personagens de tiras de banda desenhada e pequenos spots animados que passarão na televisão. Um é Jesus, uma criança igual a todos os outros meninos e meninas que nascem como personificação de Deus na Terra por intermédio do Espírito Santo que usa os seus poderes mágicos para lutar (de forma não-violenta e politicamente correcta, claro) contra a temível bruxa Abortina, que convence jovens confusas a abortar na sua clínica improvisada numa caverna escura. Bagão Félix mostra-se confiante no sucesso da campanha e promete resultados visíveis a curto prazo. Quando questionado sobre o eventual exagero de uma campanha deste género e sua ligação a convicções religiosas pessoais que não podem ser impostas num estado laico, muito menos quando se trata de desautorizar as mulheres em relação ao seu próprio corpo, o ministro refere que “isso são questões secundárias e se a minha sobrinha Vanessa quis fazer um aborto numa clínica de Ayamonte por não se lembrar de qual dos jogadores da equipa de râguebi do Dramático de Cascais é o pai da criança, é lá com ela e ninguém tem nada com isso.” |