Al-Qaeda volta a ameaçar Portugal
A publicação agora visada tem uma dimensão mais modesta do que o Correio da Manhã, num gesto que pode ser encarado como querendo dizer que não são só os grandes centros urbanos que são vulneráveis a acções terroristas, de acordo com os especialistas em Ciências da Especulação da Universidade da Beira Interior contactados pela Inépcia. Trata-se da “Gazeta da Pampilhosa,” o jornal mais lido em todo o concelho de Pampilhosa da Serra e com delegações em locais tão longínquos e mediaticamente relevantes como Castanheira de Pêra, Manteigas ou mesmo Fornos de Algodres. Terá sido a projecção do jornal a motivar a decisão dos operacionais da Al-Qaeda de usar a “Gazeta” para veicular mais uma ameaça. O director, padre Jacinto do Ó, conta como tudo se passou. “Foi numa quarta-feira de manhã quando passei pelo jornal a caminho da igreja para vir buscar o missal. Mal entro, vejo que alguém tinha enfiado por baixo da porta um papel de um serviço de entrega de pizzas ao domicílio. Estranhei logo porque toda a gente sabe que não gosto de queijo e a o resto da redacção, a dona Idalina, também não é mulher de comer essas coisas, ainda por cima em tempo de quaresma,” conta. Alertado pelo panfleto suspeito, o padre sujeitou-se a deixar os fiéis à espera para apurar a verdade dos factos, seguindo um faro jornalístico apurado por muitos anos de prática e pela experiência de dois meses como estagiário no departamento de espectáculos e animação nocturna do “L’Osservatore Romano,” jornal oficial do Vaticano. O primeiro passo foi, obviamente, vasculhar todos os contentores de lixo das redondezas à procura de indícios adicionais. Junto a um Ecoponto na rua principal, o padre Jacinto acabaria por encontrar um saco de plástico com uma inscrição no mínimo suspeita. “Dizia Supermercados Almeida e, como toda a gente sabe, as palavras começadas por al são de origem árabe e foi aí que percebi que a Al-Qaeda estava envolvida,” refere. Dentro
do saco, mais indícios perturbadores. Entre cascas de batata, restos
de comida e embalagens vazias, encontravam-se um autocolante representando
a selecção de futebol da Arábia Saudita que participou
no Mundial de 98 e um pacote de tâmaras ainda com meia tâmara
dentro, sendo sabido que a Arábia Saudita é o país
de origem de bin Laden onde se situam as cidades santas de Meca e Medina
e que as tâmaras são o aperitivo mais popular em todo o mundo
árabe. Entretanto, a população de Pampilhosa da Serra não mostra qualquer receio de uma eventual ameaça terrorista. De acordo com um presidente da Câmara local que pediu o anonimato, “não seria a primeira vez que os pampilhosenses mostravam a sua fibra na luta contra os árabes” numa referência à resistência da população local aos mouros durante a reconquista cristã. Pampilhosenses mais afoitos prometeram já aplicar a quaisquer terroristas o castigo tradicional, consistindo num banho de requeijão, seguido de espancamento com chinelas levado a cabo por uma centena de crianças em idade pré-escolas, envergando roupas domingueiras. |