Mães de Bragança exigem regresso de alternadeiras
Maria do C, uma das “mães de Bragança” mais activas nos protestos contra as casas de alterne, reconhece que “houve um erro da nossa parte na avaliação da situação” e considera que “as coisas estavam melhores quando as brasileiras cá andavam.” A mudança radical de opinião deveu-se ao facto de o seu marido, José ter regressado a casa e ao convívio com a esposa e os seus dois filhos, abandonando a brasileira com que vivia num anexo de um dos estabelecimentos agora encerrados. Para Maria do C, era a satisfação de uma exigência de há muito e a promessa de que a sua vida iria entrar nos eixos. Em alguns dias, porém, perceberia que as coisas não eram bem assim. “Comecei a perceber logo ao fim da primeira semana,” relata, “na noite de Sábado para Domingo, o meu Zé acordou-me a meio da noite a pedir um ‘botão de rosa’ e eu achei aquilo muito estranho porque ele nunca tinha sido homem de gostar de flores mas lá lhe disse que as roseiras do jardim se tinham queimado com a geada e que não tardava que dessem botão. Só que ele começou a dizer que não era nada disso e lá me explicou o que raio era o tal ‘botão de rosa.’ Fiquei parva quando ouvi porque o meu homem nunca foi dessas porcarias e em vinte anos de casamento só me tocou três vezes, uma por cada filho, mais uma em que estava muito frio, não tínhamos lenha e era a única maneira de aquecer. Vi logo que tinha sido coisa que tinha aprendido com as brasileiras.” Apesar de Maria do C negar, José insistia e tanto insistiu que teve de ser a mulher a abandonar o lar, indo morar para casa da mãe, dona Ernestina L, uma sexagenária viúva que também não sabia o que era um botão de rosa que o seu falecido marido era um santo homem e até ajudava à missa e tudo e não fosse aquele infeliz episódio com um dos acólitos e uma das velas mais grossas, ninguém lhe conheceria vícios desse género. Maria
do C não é a única a queixar-se. Várias mulheres
do movimento passaram a viver com a pressão constante dos maridos
ansiosos por práticas íntimas exóticas tais como
o “jarrão chinês,” o “pintassilgo invertido,”
o “coito nasal” ou a exigência de que as esposas passem
a dormir sem o fato de macaco de pele de ovelha com fivelas atrás
e à frente típico da região. Para resolver de uma vez por todas o problema, o presidente da câmara de Bragança, António Jorge Nunes, juntou a sua voz à das mulheres que subscreveram o abaixo-assinado e apelou às autoridades para que permitissem aos proprietários das casas de alterne retomar o seu negócio e às alternadeiras que regressem, prometendo-lhes que serão bem tratadas por uma cidade e por uma região que lhes ficarão eternamente agradecidas. “Agora percebemos a importância do alterne na preservação do nosso modo de vida pacato e ordeiro. Voltem, por favor,” apela o autarca, acrescentando que “e o raio do fato de macaco da minha mulher já começa a chatear.” |