Comunidade internacional recomenda extinção do Haiti
Recorde-se que, ao longo dos últimos meses, o país começou por ser assolado por manifestações contra o presidente Jean-Bertrand Aristide, acusado de planear uma manipulação dos resultados das eleições para se manter no poder por mais um mandato. Com o agravar da situação, os protestos deram lugar a confrontos envolvendo o exército, movimentos rebeldes anti-Aristide e grupos de pessoas sem nada melhor para fazer até porque há poucos cinemas no país e a televisão haitiana nunca dá nada de jeito. “Em
duzentos anos de independência, o melhor que o Haiti conseguiu foi
a situação actual,” considera Kofi Annan, acrescentando
que “Há que saber quando desistir.” Para além da sua atribulada história política, o Haiti conseguiu tornar-se um dos países mais pobres do mundo e o mais pobre do continente, reduzindo praticamente a zero as suas exportações de rum e café e não tendo qualquer outra fonte de rendimento. A indústria turística vive num marasmo permanente ao ponto de, dos quinze turistas que o país acolheu nos últimos 25 anos, três estarem ligados ao tráfico de droga e visitarem o Haiti apenas por motivos profissionais, dois serem entusiastas do voodoo, um ser pedófilo e procurar crianças para satisfazer os seus apetites a preços módicos e os restantes nove terem feito confusão com o Tahiti, a paradisíaca ilha na Polinésia Francesa. Agora que Aristide “renunciou voluntariamente ao cargo,” o que as autoridades de Washington chamam a pegar em alguém, obrigá-lo a assinar um papel e enfiá-lo num avião para a República Centro-Africana, a situação poderia normalizar-se mas a história do país não dá lugar a grandes esperanças. Para os analistas, a melhor solução seria mesmo a extinção do país, ainda para mais porque ninguém vai sentir saudades do Haiti, a começar pelos próprios haitianos que seriam realojados num sítio melhor. A cultura do Haiti gira em torno dos rituais macabros do voodoo e convenhamos que há coisas mais agradáveis do que ser enterrado vivo ou transformado em zombie. No desporto, tábua de salvação para a imagem de muitos países do Terceiro Mundo, o Haiti consegue ser também uma nulidade. A maior glória do desporto haitiano foi Laurent François, um maratonista que, nos jogos olímpicos de Los Angeles em 1984, optou por não partir enquanto espetava agulhas numa série de bonecas de pano representando todos os outros participantes e convicto de que os conseguiria fazer desistir. A proposta de extinção foi já apresentada ao presidente interino, Boniface Alexandre, e será em breve sujeita a referendo. Se for aprovada, o Haiti será transformado num gigantesco campo de golfe administrado pela ONU. |