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| E-zine satírico sem corantes nem conservantes | |||
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Segredo de justiça O Apito Dourado ao alcance de todos
………………….. João Loureiro: — Então? Falaste com o gajo? Valentim Loureiro: — Falei. Está descansado. João Loureiro: — E está tudo tratado? O gajo alinha? Valentim Loureiro: — A princípio ainda estava todo não sei quê mas eu sei dar-lhes a volta. Foi só prometer-lhe umas férias em Fortaleza e um relógio de ouro para cada filho. (risos) João Loureiro: — Sendo assim, agora é esperar que marque pelo menos um penalty a nosso favor. Valentim Loureiro: — Não te preocupes que este tem jeito para a coisa. João Loureiro: — Pai? Valentim Loureiro: — Sim? João Loureiro: — (pausa) Tenho muito orgulho em ti. Valentim Loureiro: — (soluço) Eu também, filho. Eu também. ………………….. Valentim Loureiro: — Então, meu cabrão? Não validaste o golo? (som de palmas gravadas) António Sala: — Parabéns! Acaba de dizer a frase certa e ganha um cheque de 200 euros em compras nas lojas Brás e Brás. ………………….. Secretária: — Boavista Futebol Clube, boa tarde. Presidente de clube medíocre mas estranhamente bem-sucedido: — Estou sim? Posso falar com o Dr. João Loureiro? Secretária: — Queira esperar um momento. (clique) Voz gravada de João Loureiro, vocalista dos Ban: — Popular… surrealizaaaaaaaaaaaaaar por aííí… ………………….. Adolescente a precisar de dinheiro: — Telepizza. Valentim Loureiro: — Boa noite. Eu quero uma pizza com queijo extra, cogumelos e mioleira de carneiro. Adolescente a precisar de dinheiro: — Mioleira de carneiro? Valentim Loureiro: — Pois. Mioleira de carneiro. É uma coisa que me dá força na verga e estava a pensar ir às meninas do Reinaldo Teles amanhã. Adolescente a precisar de dinheiro: — Desculpe mas não usamos esse ingrediente. Valentim Loureiro: — Não seja assim. Faça-me lá esse jeitinho. Adolescente a precisar de dinheiro: — Lamento mas não posso. Valentim Loureiro: — Vá lá… olhe que eu pelos amigos faço tudo. Não quer ser promovido? Eu posso tratar disso. E uma viagem ao Brasil? E meninas? E uma máquina fotográfica? Ou duas? Ou vinte? ………………….. Criança: — Estou? Presidente do Gondomar Sport Clube: — É de casa do Major? Criança: — É mas o meu avô não está. Presidente do Gondomar Sport Clube: — Ah é a netinha. Que riqueza. Olha, amor, diz ao avô que não se esqueça de comprar o árbitro para o jogo com o Varzim e, se for preciso, que ameace partir-lhe as pernas à mulher, sim? Criança: — Está bem. Eu tenho uma bicicleta nova. …………………..
Pinto da Costa: — Olha quem é ele. Está bom, major? Valentim Loureiro: — Ando um bocado afrontado da tomatada mas é do excesso de uso. E o meu amigo? Pinto da Costa: — Podia estar melhor. A minha mulher ameaçou dizer aos jornais que tenho o Carlos Calheiros trancado na cave. Valentim Loureiro: — As mulheres são umas porcas. Aprendi isso no Ultramar. Olhe lá, sempre quer que eu lhe arranje um árbitro para a próxima jornada? Pinto da Costa: — Ó major… não será perigoso estar a falar destas coisas por aqui? Pode estar alguém à escuta. Valentim Loureiro: — Não está nada. Não se preocupe com… (ouve-se um espirro) Pinto da Costa: — Viu o jogo do Benfica? Aquele fora-de-jogo não marcado ao Simão foi uma vergonha. Valentim Loureiro: — É uma escandaleira. São levados ao colo. ………………….. Árbitro anónimo: — Estou? Valentim Loureiro: — Não se esqueceu daquilo que falámos pois não? Árbitro anónimo: — Daquela situação? Valentim Loureiro: — Exactamente. Porque, se tiver mudado de ideias em relação à situação, eu terei de tomar outras providências para que a conjuntura se mantenha favorável. Árbitro anónimo: — O major sabe que sou um homem de palavra. E nessas situações estou sempre pronto para dar o meu contributo às diligências que forem necessárias. Valentim Loureiro: — Eu sabia que podia contar consigo. E as contrapartidas de que falámos mantêm-se dependentes de um resultado positivo da estratégia. Árbitro anónimo: — Muito bem. Só tenho uma dúvida. Valentim Loureiro: — Diga lá. Árbitro anónimo: — Estamos a falar de quê ao certo?
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