EUA explicam que "armas de destruição maciça" eram metafóricas
Assim, de acordo com a nova argumentação americana, as célebres “armas de destruição maciça” não eram necessariamente mísseis nucleares, armas químicas e outras de elevado potencial destrutivo mas apenas um conceito abstracto que pretendia transmitir uma ideia de ameaça potencial à segurança não só dos Estados Unidos mas de todo o mundo ocidental e dos seus valores intrínsecos, tais como a ganância corporativa, o desprezo generalizado pela dignidade humana e a hipocrisia, valores que fizeram da civilização ocidental o que hoje é. A Inépcia contactou Nuno Rogeiro, analista político e militar, que nos recebeu na sua cozinha enquanto cortava tomates para uma salada com o seu avental do general Patton e um lenço com um padrão camuflado na cabeça. “Esta utilização de metáforas para mobilizar apoiantes para uma guerra tem antecedentes históricos,” explicou, manuseando a faca com a perícia de alguém que se move à vontade nos meandros da geopolítica internacional, “Na antiguidade, o rei Narmer do Alto Egipto conquistou o Baixo Egipto, unificando o país, após ter convencido o povo a segui-lo com o argumento de que o inimigo estaria a criar um grande elefante amarelo que podia disparar bolas de fogo pela tromba e relâmpagos pelos olhos. Também na Babilónia, o rei Hammurabi conseguiu apoio para um ataque aos hititas depois de convencer os seus súbditos de que as mulheres hititas tinham três seios e um apetite sexual insaciável.” Entretanto, no Iraque, as tropas americanas continuam a passar o país a pente fino em busca, não de armas de destruição maciça visto que a natureza metafórica das mesmas já foi admitida, mas de armas em geral ou objectos que pudessem ser usados para agredir os países amantes da paz e da democracia pelo regime de Saddam Hussein. Um batalhão de marines descobriu recentemente um monte de pedras de aspecto vicioso nos arredores da cidade de Najaf. De acordo com fontes americanas, as pedras poderiam ser usadas para destruir uma cidade do tamanho de São Francisco se fossem disparadas de uma estação espacial em órbitra sobre a Terra com um canhão de ar comprimido adaptado. O
responsável pela inspecção das Nações
Unidas aos arsenais iraquianos, o sueco Hans Blix, continua a afirmar
que não existiam provas de que o Iraque possuísse armas
de destruição maciça e que o argumento da metáfora
é risível. Em resposta a estes comentários, Paul
Wolfowitz revelou que o próprio Hans Blix é uma metáfora
criada pelo seu departamento como personificação das opiniões
discordantes de forma a manter o espírito democrático vivo
num país em que a unanimidade é tradicionalmente imposta. |