Bagão Félix equipara aborto a cuspidela para o chão
“É mais ou menos como cuspir para o chão,” explicou, “A lei proíbe e quem for apanhado a fazê-lo pode ser multado, não se tratando propriamente de um crime como o tráfico de droga ou o homicídio mas sim de um acto muito feio e que parece mal.” Levando a sua argumentação mais longe, Bagão Félix comparou ainda o aborto clandestino ao acto de urinar ou defecar na via pública, ao grafitti selvagem, à vandalização de cartazes com a fotografia do primeiro-ministro Durão Barroso ou ao acto de urinar ou defecar sobre o primeiro-ministro Durão Barroso na via pública ou não. O ministro admitiu ainda que “é necessário debater de forma séria esta situação para encontrarmos uma solução adequada e razoável, mostrando ao país que o governo lida com assuntos incómodos como este com toda a frontalidade e de forma ponderada e adulta.” Assim, Bagão Félix revelou que o governo PSD-CDS está a preparar uma proposta de lei que substituirá as penas de prisão aplicada às mulheres que abortam por uma pena de “tau-tau” aplicada pelo próprio ministro com uma luva de cabedal rijo. Outra prova da maturidade do executivo é a eliminação na referida proposta de lei da expressão “mulheres que abortam” que será substituída por “meninas marotas que tiveram azar no truca-truca.” Esta medida foi já aplaudida por altas individualidades da Igreja Católica, pelos movimentos defensores do “direito à vida” e pela Associação dos Obstetras de Reputação Duvidosa de Badajoz. O cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, aproveitou a oportunidade para apelar a todas as mulheres para que “percam o vício de abortar” e lembrou, a título de exemplo, o que seria de Portugal se as mães dos membros do actual governo tivessem levado os seus abortos até ao fim. |