Casino de Lisboa vai ser no Bugio
“Espero que assim consiga agradar a toda a gente,” afirmou Santana Lopes, aproveitando para sublinhar mais uma vez a importância do casino para a cidade: “Lisboa precisa de ter um casino porque... epá... porque sim! Não me chateiem.” Logo que a intenção do autarca de construir um casino em Lisboa foi anunciada, fizeram-se sentir vozes de protesto vindas dos mais variados sectores. Receou-se que um casino atraísse o tipo errado de pessoas ao centro da cidade quando a localização provável era o Parque Mayer (um tipo mais errado de pessoas do que os proxenetas, prostitutas, toxicodependentes e actores de revista que por lá andam actualmente). Quando se falou no Cais do Sodré, criticou-se a utilização de um edifício camarário que podia perfeitamente ser usado para outros fins. Com a escolha do Bugio, as vantagens fazem esquecer os possíveis efeitos nefastos da conversão de um monumento nacional, a fortaleza de São Lourenço da Cabeça Seca que há séculos guarda a entrada do Tejo, em casa de jogo. “Em
primeiro lugar, resolve-se o problema da vizinhança. Acho que assim
ninguém se queixa de que não quer ter o casino à
porta. Só se forem as tainhas e as gaivotas,” afirma Santana
Lopes, enumerando as restantes vantagens, “O acesso é tão
difícil que só mesmo quem quiser muito ir ao casino é
que o fará, o que evitará que pessoas inexperientes desenvolvam
o vício do jogo, e depois há um pormenor muito importante.
Se
alguém perder uma quantidade imensa de dinheiro como costuma acontecer
em todos os casinos, e quiser pôr fim à vida é só
vir cá fora, dar dois passos e já está. Fica o funeral
feito e tudo.” |