Processo Casa Pia adaptado por Hollywood
A
produtora em questão é a CasalBoss Productions, propriedade
de Virgil Medeiros, um emigrante madeirense que há vinte e dois
anos trocou Câmara de Lobos por Los Angeles e fundou a primeira
produtora cinematográfica luso-americana da história da
sétima arte. “A CB Productions está a trabalhar para
conseguir atingir uma posição de destaque em Hollywood e
acredito que o processo Casa Pia será o ideal para atrair o tipo
de atenções que pretendemos,” afirma Virgil Medeiros.
“Para além disso, queremos contribuir para acabar com aquela
imagem de país pacato e enfadonho que Portugal tem junto dos poucos
americanos esclarecidos que sabem que existimos. Vamos mostrar-lhes que
também temos escândalos picantes,” acrescenta. O facto de os arguidos do processo Casa Pia ainda nem sequer terem sido julgados não preocupa Virgil Medeiros que, para além de produtor, será também o realizador do filme. “É verdade que ainda ninguém sabe como vai acabar mas isso só torna as coisas mais interessantes. O suspense enriquece muito qualquer filme. O suspense e as mamas. Mas isto vai ser um filme decente e por isso temos de cortar nas mamas... salvo seja,” explica com um sorriso visionário. O guião está a ser escrito por Roger Armando, também ele luso-americano, e com experiência no meio, tendo assinado os guiões de “Fandango, uma aventura ribatejana em New Jersey” ou “Platum,” retrato chocante da experiência dos soldados portugueses na guerra colonial e das suas rações de combate constituídas maioritariamente por conservas de peixe. A produção está ainda a dar os primeiros passos mas Virgil Medeiros já tem os papéis distribuídos. Assim, Carlos Cruz será interpretado por Tom Hanks, Herman José pelo carismático Eddie Murphy, Paulo Pedroso por Leonardo DiCaprio, Gene Hackman será Jorge Ritto, Russell Crowe dará corpo a Bibi enquanto que Angelina Jolie terá a difícil tarefa de dar vida à jornalista Felícia Cabrita, cuja investigação esteve na origem do processo. Apesar do elenco de vedetas internacionais, há também lugar para actores portugueses em papéis de menor importância de entre os quais destacamos Ruy de Carvalho como Catalina Pestana, provedora da Casa Pia, e Luís Aleluia numa participação especial como um menino Tonecas muito pouco feliz depois de ter participado numa orgia. A estreia do filme ainda não está agendada mas Virgil Medeiros não esconde o seu entusiasmo. “Isto é para ir aos Óscares,” assegura. E para quem considerar a meta demasiado ambiciosa, Virgil revela o segredo do sucesso: “Isto não é a Europa. Aqui as pessoas têm gostos diferentes e os americanos não resistem a uma boa história de crime e mistério com umas pitadas de romance e pedofilia à mistura.” |