Confraria da Roupa Interior Usada mal recebida pelo público
O presidente da CRIU, a quem, respeitando o seu pedido de anonimato, vamos chamar “Senhor Ministro,” desvaloriza as críticas e chama a atenção para a necessidade de salvaguardar os direitos dos cuecófilos e evitar que se comercialize “gato por lebre.” “Temos de tomar medidas para evitar que um cuecófilo incauto passe horas a apreciar o aroma de uma peça de lingerie usada durante um mês por uma adolescente filipina quando, na realidade, apenas o foi durante uma semana por um camionista quarentão de Xabregas numa viagem entre Lisboa e Valladolid,” explica. Outro
ilustre cuecófilo anónimo, a quem vamos chamar “senhor
presidente de um grupo empresarial importante,” considera que “a
cuecofilia não tem nada de perverso ou de mau gosto” e acrescentou
que “usar um soutien por lavar provoca uma sensação
semelhante à de quem admira o tecto da Capela Sistina.” Como é habitual nas confrarias, a CRIU também possui o seu ritual de recepção de novos confrades completo com trajes de gala e hinos. A cerimónia de iniciação do candidato a confrade envolve a repetição de um juramento de fidelidade aos objectivos da confraria com a mão colocada sobre um monte de peças de roupa interior usadas durante duas semanas consecutivas pelos restantes confrades e uma oração conjunta em louvor de Santa Prudência de Esmirna, escolhida como padroeira dos cuecófilos por ter vestido a tanga que Cristo usou na crucificação durante toda a sua vida sem a lavar, morrendo vitimada por uma infecção urinária aguda aos 22 anos. O ministro que tutela as confrarias, e também a roupa interior usada, José Luís Arnaut, ministro-Adjunto e de Todos os Assuntos Que Não Interessam ao Menino Jesus, cargo que acumula com o de massagista oficial do Governo, considerou ainda não estar suficientemente informado sobre o assunto para se pronunciar mas prometeu debruçar-se em breve sobre um monte de meias usadas pelo ministro Morais Sarmento quando faz o seu jogging matinal. |