Membros indecisos do conselho de segurança propõem moeda ao ar
Os países em questão sobre os quais recai a responsabilidade de decidir se os iraquianos terão direito a viver em liberdade e democracia livres do jugo tirânico de Saddam são o Chile, o México e uma selecção de democracias de sucesso como o Paquistão, a Guiné, os Camarões e Angola. Para
além destes países, fazem ainda parte do conselho de segurança
das Nações Unidas, entre membros permanentes e os que são
eleitos por rotatividade, outros paladinos da democracia e dos direitos
humanos como a República Popular da China e a Síria. Poderá parecer irresponsabilidade sugerir que uma decisão de tamanha importância para a estabilidade mundial seja tomada através de um método tão arbitrário como o lançamento de uma moeda ao ar mas existe uma explicação perfeitamente racional. Todos os países acima citados padecem de um déficit de atenção mediática e têm sido votados ao longo dos anos a um severo esquecimento por parte do resto do mundo que nunca lhes liga nenhuma. A única excepção a esta situação será o México que, de qualquer maneira, não fica sem razões de queixa já que, quando um país com uma área de dois milhões de quilómetros quadrados e com uma população de mais de cem milhões de pessoas, é identificado em todo o mundo com homenzinhos a dormir a sesta tapados por chapéus gigantescos, com comida picante e com ratos velocistas dos desenhos animados, é óbvio que isso provocará algum descontentamento. Numa
altura em que estes países estão no centro das atenções
do mundo, é compreensível que os respectivos governos não
se sintam à vontade para fazer alguma coisa que acabe com essa
situação possivelmente para sempre. Com o lançamento
de uma moeda ao ar, a decisão seria tomada ao acaso e nenhuma responsabilidade
poderia ser atribuída aos responsáveis políticos.
A
comunidade internacional já reagiu à proposta de forma favorável
argumentando-se que qualquer coisa é preferível ao impasse
que se tem vivido nos últimos meses. Tony Blair, primeiro-ministro
britânico e um dos principais entusiastas da guerra, ou da intervenção
militar preventiva como prefere chamar-lhe, chamou a atenção
para o valor metafórico da decisão por moeda ao ar. "A
cara simboliza a frontalidade com que nós queremos encarar o problema
das armas de destruição maciça enquanto que a coroa
representa a atitude temerosa de todos aqueles que preferem virar as costas
e fingir que não vêem que armas com capacidade para matar
muita gente de uma vez só devem estar nas mãos de pessoas
que falem inglês," afirmou com o seu costumeiro meio sorriso. Entretanto, o vice-primeiro-ministro iraquiano, Tareq Aziz, manifestou a disposição do Iraque em colaborar com a ONU em todas as iniciativas, mesmo nesta, e sugeriu ao secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, que se utilize a moeda de um dinar iraquiano que tem a particularidade de ser igual dos dois lados, o que promete animar ainda mais o momento da decisão. |