Fernando Negrão quer tirar arrumadores da rua e levá-los para casa
“É preciso tomar medidas que acabem de vez com este problema. É perfeitamente aceitável que exista gente a consumir drogas pesadas em Portugal mas não podemos tolerar que exibam os seus vícios em público,” afirmou o ex-director da Polícia Judiciária. Para tirar os arrumadores da rua, Negrão propõe uma medida simples e, na sua opinião, de eficácia inquestionável. “Vou levá-los todos para casa,” explicou. Ou seja, o presidente do IDT pretende levar todos os arrumadores de automóveis para a sua residência pessoal, resolvendo com rapidez estrondosa um problema que muitos têm tentado resolver a longo prazo sem quaisquer resultados visíveis. Questionado sobre a dificuldade de alojar os milhares de arrumadores de carros numa única casa, Fernando Negrão esclarece que “é claro que não vão todos para a casa onde vivo. Não caberiam. Alguns vão para uma casa de campo que tenho no Minho que tem um quintal grande e uma arrecadação espaçosa.” Simultaneamente, os arrumadores serão sujeitos a um programa intensivo de reinserção social posto em prática através de trabalhos que terão de efectuar. Trata-se de pequenos trabalhos domésticos ou agrícolas não remunerados, já que a melhoria da sua situação será remuneração suficiente, que reverterão a favor do próprio Fernando Negrão que assim, num exemplo ímpar de generosidade, se sujeita a beneficiar de mão-de-obra gratuita. No entanto, algumas vozes se levantaram já contra esta medida do presidente do IDT. Por um lado, a APCAASMU (Associação Portuguesa de Cidadãos que Acreditam que os Arrumadores São Mesmo Úteis) lamenta a vontade de extinguir uma classe que, para além de ser pitoresca, presta um auxílio precioso aos automobilistas. Por outro, alguns arrumadores como, por exemplo, o senhor Maximino Queiroga, um dos poucos arrumadores profissionais da cidade de Lisboa com direito a boné com chapa identificativa, consideram que é injusto quererem tirá-lo da rua. “Já somos arrumadores há tanto tempo e agora querem levar a gente para casa desse tipo que ninguém sabe quem é,” explica o senhor Maximino que jura que a única droga que já consumiu foi um “bagacinho uma vez por outra.” Polémicas à parte, esta é uma das primeiras medidas visíveis de Fernando Negrão enquanto director do IDT, apenas um mês após lhe ter sido explicado que o Instituto da Droga e da Toxicodependência é um organismo criado para combater o consumo de estupefacientes e não para o promover e que andava a consumir quantidades industriais de narcóticos para nada, visto que tal não era exigido pelo cargo. |