Máfia procura franchising no futebol português
A Máfia italiana está a encarar seriamente propor ao presidente de um dos clubes de futebol portugueses a possibilidade de representar a instituição no nosso país. Segundo informações a que a Inépcia teve acesso através de um inspector do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa e Militares (SIEDM) que, no momento, se divertia numa máquina Colin McRae num salão de jogos da capital, há “dados objectivos pouco fundamentados” que apontam para “investigações – ai que me ia estampando nesta curva - avançadas” desta organização criminosa italiana, no sentido de encontrar alguém para liderar um “franchising” a abrir ainda antes do Euro 2004 em Portugal, manobra à qual não é alheio o facto de Luiz Felipe Scolari ter ascendentes italianos, o que terá pesado na sua nomeação para seleccionador nacional. Gilberto Madaíl, que previu o interesse da estrutura em montar negócio em Portugal, tentou uma manobra de charme, escolhendo Scolari em detrimento de Hernan Contreras, do Belize, e de Andranik Adamian, da Arménia, na perspectiva de vir a ser escolhido. Contudo, a barba de aspecto desanimador, o mau gosto para escolher estofos de carros e a falta de apetência do presidente da Federação Portuguesa de Futebol para resolver assuntos de família arruinaram as possibilidades de Madaíl. Que, segundo a mesma fonte, conseguiu boa nota em caciquismo e em comer sopa sem sujar o bigode. O
inspector confirmou, enquanto tentava trocar uma nota de 10 euro por moedas
de um, que as alternativas não faltam. A Máfia tem já
um grupo de presidentes de clubes de futebol portugueses referenciados
para assumir o negócio. Luís Filipe Vieira, pelo contrário, é uma carta fora do baralho, por alegadamente ter feito fortuna com o contrabando de pneus usados, um esquema encarado como “demasiado sério” pela organização, que vê na “fisionomia turca” do presidente do Benfica outro obstáculo, concretamente nos negócios com clientela católica e europeista. O boavisteiro João Loureiro tem contra si o temperamento de uma panela de pressão, embora esteja a ganhar peso, aproximando-se dos padrões Tony Soprano, desejados para a renovação da imagem dos quadros da Cosa Nostra. Apenas as armações dos óculos do advogado precisam, de acordo com o documento, de um “tratamento Armani”. A contratação de Alexandrino, há três épocas, atirou António Pimenta Machado para posição modesta entre os “franchisados”. Pimenta até podia estar na “pole-position”, com o à vontade com que dobra sacos azuis, mas as fraquezas esotéricas e a repulsa quando se senta frente a uma boa calzone deitam quase tudo a perder para o presidente do Vitória de Guimarães junto da Máfia. Já sem moedas para mais créditos, o inspector do SIEDM revelou, a troco de dois euros, que as ligações próximas ao tráfico de armamento caduco, as jogadas maçónicas em universidades de paredes coloridas e a produção clandestina de canela para pastéis de Belém deixam Sequeira Nunes bem colocado para o lugar. Contudo, tal como Pinto da Costa, a idade não perdoa e o presidente do Belenenses já foi visto em camisola interior de alças. Os conhecimentos na administração da cimenteira do Outão, podem, apesar de tudo, jogar a favor de Nunes. Outras hipóteses para escolha do luso-mafioso são João Oliveira, do Varzim, homem de pose identificada como próxima dos comerciantes de azeitonas da Úmbria e com menção honrosa no índice unha-do-dedo-mindinho, João Bartolomeu, da União de Leiria, que recebeu aulas nos últimos meses para conseguir imitar quase na perfeição “il padrino” – onde cultivou um ódio de estimação pelos rebuçados dr. Bayard - e se aconselhou com a modista italiana Pietra Maltrapilli para encontrar o guarda-roupa mais alta-costura-fora-da-lei possível, e Domingos Magalhães, do Moreirense, um possível “franchisado” mais discreto, que, contudo, dorme de luz acesa e sobre o qual recaem suspeitas de ter o couro cabeludo possuído pelo espírito de D. Fernando, o Inconstante. |