|
|||
| E-zine satírico sem corantes nem conservantes | |||
|
Você
decide!
Monumental Gala Parabéns, Pá
Os leitores mais veteranos da Inépcia recordarão certamente com saudade uma época em que “isto tinha muito mais piada,” quando os textos eram mais arrojados e sem medo de atingir implacavelmente os interesses estabelecidos do país. Quando as piadas eram inteligentes e de uma sagacidade sobre-humana com o objectivo altruísta de tornar o mundo melhor pela aplicação de um genial talento para a sátira. Pois bem, essa época nunca existiu e quem achar que sim não regula bem da cabeça porque, se há coisa que a Inépcia conseguiu alcançar nestes seis anos de actividade, foi a manutenção de níveis constantes de mediocridade inconsequente. Mas há realmente algo que pode ter deixado saudades. Durante os primeiros anos, a Inépcia atribuía com cada edição os afamados (e já lendários) prémios “Parabéns, Pá,” uma espécie de Globos de Ouro onde não é preciso conhecer de cor a anatomia íntima de Pinto Balsemão para fazer parte do júri. Um provérbio secular do Bangladesh diz que “as papoilas florescem quando os gansos voam em direcção ao sol-posto.” A única lição que podemos tirar daqui é que os naturais do Bangladesh deviam passar mais tempo a construir diques para prevenir a próxima inundação e deixarem-se de inventar provérbios merdosos que não fazem sentido nenhum. Ou então podiam arranjar qualquer coisa poética para transmitir de forma condensada a seguinte mensagem: há coisas que desaparecem para sempre e há outras que acabam por voltar ao fim de um tempo mesmo que esse regresso não aqueça nem arrefeça e só porque alguém achou que era uma boa maneira de celebrar uma efeméride que, já de si, não tem qualquer importância perceptível. Porque,
no fundo, é isso que está a acontecer. Os prémios
“Parabéns, Pá” regressam neste sexto aniversário
da Inépcia e, desta vez, como recompensa pela fidelidade de três
ou quatro leitores que gostam realmente disto, dos dez que vêm
cá por insistência do autor e das centenas atraídas
porque é um dos primeiros resultados de uma pesquisa no Google
por “Fernanda Serrano porno,” os vencedores serão
escolhidos de forma quase democrática através de votação.
O júri Os membros do júri foram escolhidos de forma arbitrária através da Lista Telefónica e raptados a meio da noite por um grupo de mafiosos moldavos mascarados como personagens da Disney. A escolha dos nomeados obrigou-os a passar um mês trancados na cozinha de um apartamento em Almada até chegarem a um consenso. O apartamento também foi escolhido ao acaso entre os clientes de uma agência de viagens com férias agendadas para o mês em questão. Ao regressar, os proprietários depararam-se com uma agradável surpresa pelo seu gentil contributo: uma esfregona, um balde e um garrafão de lixívia (porque o júri não pôde ir à casa de banho durante um mês inteiro).
O prémio
Os
vencedores de cada categoria receberão um galardão da
autoria do eminente escultor húngaro István Balakrarszazbák
em ouro de lei e baptizado com o sugestivo nome “Impulso.”
A forma peculiar de cada Impulso representa a elevação
eterna do ideal da excelência que deverá sempre nortear
a conduta humana. Juntamente com o galardão, cada vencedor receberá
um frasco de lubrificante à base de água para garantir
que o seu Impulso nunca perderá o brilho.
A gala A
votação decorrerá até ao início do
mês de Fevereiro e os resultados finais serão anunciados
numa monumental gala agendada para o salão nobre do Centro Paroquial
de Alijó. A animação ficará a cargo do Agrupamento
Musical “Os Pides do Rock,” conjunto composto inteiramente
por antigos funcionários de um organismo público já
extinto, e da Associação Portuguesa de Suinicultores que
estreará um inovador espectáculo composto por recriações
de momentos famosos da sétima arte interpretados por bácoros
de talento comprovado mundialmente. Apresentação de Merche
Romero e Jorge Gabriel (também por intermédio da APS).
Categorias Política José Sócrates
Por ter conseguido passar em poucos meses de político promissor e popular a Anticristo, preparando-se para anunciar em breve a proibição de beber bebidas frescas quando faz calor ou de coçar quando há comichão, num esforço para conseguir que 100% dos portugueses o odeiem. Cavaco Silva
Por ter sido eleito (à segunda) para o mais alto cargo do país, tendo repetido as mesmas oito frases durante toda a campanha (nenhuma delas de sua autoria) e por conseguir fazer comunicados à Nação sem encher os cantos da boca com saliva presidencial (muito).
Por conseguir ser o derrotado mais votado das Presidenciais e por ter mobilizado os cidadãos numa campanha independente que, por mais méritos que tenha tido, teve como único resultado prático, contribuir para a vitória do candidato da direita. Alberto João Jardim
Por continuar a governar a Pérola do Atlântico como se fosse uma ditadura da América Central, conseguindo provocar algum incómodo com ameaças de uma independência insustentável e sem qualquer fundamento ou apoio popular.
Corrupção Fátima Felgueiras
Pela devoção feudal de um povo que entende que o desvio de fundos públicos, a corrupção e o compadrio são males menores se a senhora presidenta continuar a cumprimentá-los na rua e a beijar-lhes as criancinhas. Isaltino Morais
Por conseguir fazer o mesmo que Fátima Felgueiras mas num concelho urbano com níveis escolares teoricamente mais elevados e sendo muito mais feio. Valentim Loureiro
Por, enquanto muitos têm o dom da palavra, ter o dom do berro, conseguindo eclipsar com o poder das suas cordas vocais uma série de actos ilícitos nunca inteiramente desmentidos e pela forma como pode ter comportamentos suspeitos em várias áreas sem nunca ser alvo de qualquer punição. Pinto da Costa
Por conseguir manter o mesmo ar de inocência angelical por mais graves e por mais impossíveis de desmentir que sejam os indícios de que tudo o que se diz e tem dito sobre ele é mesmo verdade. Pedofilia Bibi
Por mostrar como tornar-se o pedófilo mais conhecido do país fez maravilhas pela sua imagem, sendo hoje um senhor composto e muito longe do grunho de kispo vermelho de há uns anos atrás. Carlos Cruz
Por ser o único arguido pelo qual tanta gente põe as mãos no fogo mesmo que os indícios que contra si existem sejam tão graves e fundamentados como os que existem contra os outros arguidos. E tudo só por ser o impecável “Carlos Cruz da televisão.” Jorge Ritto
Por mostrar a todos que Portugal pode já não ter a influência internacional de outrora mas continua a haver pelo menos um diplomata que não hesita quando é necessário meter-se em apertos e que vai ao ponto de se deixar fotografar metido em apertos a partir de vários ângulos. Pedro Abrunhosa
Por gostar de adolescentes tenras que não resistem ao charme misterioso do cantor dos óculos escuros, mesmo quando sofre de um estrabismo perturbador (é esse o motivo dos óculos).
Desporto Luís Filipe Vieira
Por ser um paladino da verdade desportiva, por não hesitar em correr risco para chamar a atenção para situações ilícitas e por, mesmo com tudo isto, não ter problema nenhum em colaborar com José Veiga. Valentim Loureiro
Por aceitar abandonar finalmente a presidência da Liga de Clubes, patrocinar a eleição de um substituto e ter a lata de se manter em funções até lhe dar na real gana. Pinto da Costa
Por presidir a um clube que continua a papar títulos e a ser apontado como exemplo em vários campos enquanto se tosse para o lado e se finge que não se tem lido os jornais nos últimos tempos. Francis Obikwelu
Por ser a única pessoa nesta categoria com mérito real no desporto. Televisão Merche Romero
Por se ter tornado uma figura de primeira grandeza da televisão nacional quando os seus únicos méritos são: 1-Ter voz de catarro; 2-Ter rebolado nos lençóis com um futebolista famoso por um par de vezes e sem regime de exclusividade. José Hermano Saraiva
Por ser um souvenir vivo de uma época em que era perfeitamente possível ser feio, careca, esquisito, enfadonho, não dizer coisa com coisa, medir metro e meio e ter um programa na televisão. Luciana Abreu
Por ter desmentido todos os que pensaram que uma série juvenil sobre uma Cinderela moderna obcecada com fadas e comportando-se como uma atrasada mental, habitando um lugarejo indefinido onde é a única pessoa com pronúncia do Porto seria uma estupidez pegada sem quaisquer hipóteses de sucesso. Francisco Adam
Por mostrar de forma inequívoca que uma morte trágica pode mesmo fazer com que qualquer um seja um ícone. Cinema Joaquim de Almeida
Por ter assumido a nacionalidade americana, fazendo com o que o embaraço do país de origem passe a ser partilhado com o país de acolhimento. Soraia Chaves
Por ser uma revelação o talento demonstrado no filme “O Crime do Padre Amaro” e por ser giro o modo como os apreciadores tentam fazer de conta que o tal “talento” vai além do que está escondido dentro da roupa interior. Manoel de Oliveira
Pela longevidade de realizador mais velho ainda em actividade e por estar a preparar uma adaptação cinematográfica da revista Maria para o seu 115º aniversário. Elsa Raposo
Por protagonizar o filme português mais falado do ano e por ser mãe das crianças mais traumatizadas deste país, o que lhes augura um futuro de profundo ridículo mediático. Literatura José Rodrigues dos Santos
Por conseguir seguir as modas literárias com romances escritos em velocidade relâmpago, provando que a pressa é mesmo inimiga da perfeição, e por ensinar ao país que o leite é um ingrediente essencial na confecção da sopa de peixe. Margarida Rebelo Pinto
Por conseguir manter-se acima de toda a publicidade negativa e continuar a ter sucesso, provando que uma escritora não tem necessariamente de ter aquela mariquice do talento de que tantos falam. Pedro Santana Lopes
Pelo oportuno lançamento de um trabalho autobiográfico capaz de mostrar ao país que, afinal, o autor não teve realmente uma prestação asquerosa como primeiro-ministro. Estava era tudo contra ele. Coitado… Carolina Salgado
Da casa de alterne para as livrarias, Carolina Salgado merece distinção pela coragem de revelar o que há muito se queria saber. Afinal quem corta as unhas dos pés a Pinto da Costa?
Teatro Filipe La Féria
Pelas inúmeras adaptações bem-sucedidas de filmes famosos convertidos em musicais de caca, pela destruição implacável do imaginário cinéfilo comum e por ter conseguido capturar uma base de operações no Porto. Teresa Guilherme
Pela estreia nos palcos ao lado de Miguel Falabella, provando que a falta de jeito também pode ser multifacetada. Eunice Muñoz e Ruy de Carvalho
Por nenhum motivo em especial mas nenhum prémio de teatro fica completo sem referência a estas duas eminências pardas. Selecção nacional de futebol
Pelo fantástico golpe de teatro que foi a participação no Mundial de 2006, começando por um início sem brilho e sem qualquer favoritismo, seguido de uma brilhante e inesperada qualificação para as meias-finais e terminando com exibições patéticas.
Herman José
Pelo brilhante trabalho de transformação do maior humorista português de todos os tempos numa versão abastardada e irreconhecível de Roberto Leal (mas com muito menos piada do que o original). Cláudio Ramos
Este rapazola vive para ver o seu nome referido e delira com os comentários maldosos feitos a seu respeito. Gosta de lhes responder e sente que assim tem um propósito na vida. Por isso, é incluído nesta categoria sem quaisquer comentários adicionais. José Castelo Branco
Por ser um exemplo para todos os homenzinhos com tiques estranhos do país, provando que não têm futuro apenas em áreas como a costura, o travestismo ou a prostituição. SIC Comédia
Por ter sido um projecto pioneiro cuja existência breve acabou por revestir-se também de elementos profundamente cómicos. Por um lado, assumia-se como um canal dedicado à comédia de qualidade mas sem qualquer pudor de incluir os “Malucos do Riso” (e outras "pérolas," sobretudo de produção nacional) na programação. Por outro, a gestão amadora e o facto de ter sido extinta em benefício de um canal tão carismático como a SIC Mulher são absolutamente hilariantes. Música D’ZRT
Por se ter dado ocupação a um grupo de jovens que, de outra forma, não teria bom rumo num projecto que não consegue ser musical mas andará lá perto. Floribella
Por… porque… ora bolas… por isto: não
tenho nada Nel Monteiro
Por ser um dos valores de referência da música portuguesa e, sobretudo, pelo estrondoso êxito de “Puta Vida Merda Cagalhões,” o regresso da música de intervenção. José Cid Pela onda revivalista que lhe ressuscitou a carreira e que, muito em breve, possibilitará a compra de um capachinho mais moderno e realista.
Celebridade inexplicável Bibá Pitta
Por conseguir tornar-se a “tia” preferida de Portugal, mesmo tendo um nome ridículo e muito propenso à brejeirice. Maya Pela mestria de conseguir ganhar a vida, convencendo muito boa gente de que o seu sistema de previsão astrológica não é improvisado na hora. Soraia Chaves
Por ter grande talento. E por conseguir enfiá-lo quase todo dentro de um soutien. Cláudio Ramos
Ver categoria "Humor e/ou sexualidade intrigante" acima. |
|||