Senhor da Galileia processa padre Borga
“Está-se mesmo a ver que a canção é sobre mim,” afirma, explicando que “aqui na Galileia não há mais homens por isso o senhor da Galileia tenho de ser eu.” Com efeito, a aldeia da Galileia é uma das muitas aldeias quase desertas que existem em Portugal devido à saída da população para zonas do país onde a vida seja mais fácil ou mesmo para o estrangeiro. De momento, a população resume-se a Amadeu, à sua esposa e a duas irmãs octogenárias entrevadas, o que parece validar a sua argumentação. O queixoso tomou conhecimento da situação há alguns meses atrás quando regressou à aldeia-natal depois de trinta anos emigrado no Luxemburgo. “Quando vinha para cá, começaram a passar a cantiga na rádio e eu estranhei até porque não conhecia o tal padre Borga de lado nenhum e não percebia por que é que ele se ia inspirar em mim para cantar aquilo mas quando cheguei a Idanha é que as coisas se complicaram,” recorda. De repente, Amadeu começou a ser abordado na rua por desconhecidos que lhe davam a mão sem que percebesse por que o faziam. “A princípio, pensei que fosse por me conhecerem de algum lado. É que o meu snack-bar lá no Luxemburgo era muito frequentado pela comunidade portuguesa e não só e toda a gente gostava de me ouvir contar anedotas picantes... Até me chamavam o Cantinflas de Ettelbruck,” lembra. O
pior ainda estava para vir. “Apareceram-me uns malucos a pedir para
cuidar deles e para acalmar o mar. Achei suspeito porque o mar fica a
quilómetros de distância e foi então que percebi:
eram maricas!” Contactado pela Inépcia, o padre Borga preferiu não agravar a polémica, afirmando apenas que a canção em questão é cantada há vários anos nas celebrações eucarísticas e não é de sua autoria. De seguida, pediu licença para voltar ao estúdio onde está a preparar a gravação de um tema em conjunto com o rapper Pac-Man dos Da Weasel que terá como título: “O Senhor é um dread e a Virgem é a minha dama.” |