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| E-zine satírico sem corantes nem conservantes | |||
Irmã Lúcia processa Santa Sé
A ingratidão de que acusa a Santa Sé torna-se ainda mais difícil de suportar quando Lúcia recorda tudo o que fez pela Igreja. A aparição de Nossa Senhora que alegadamente terá presenciado em 1917 deu origem a um culto que chegou até aos nossos dias, coroado com a construção de um santuário e de outras estruturas que dão lucros bastante avultados e de que Lúcia nunca viu um tostão sequer. Para além disso, as cartas que terá escrito, revelando os três segredos de Fátima devolveram ao Catolicismo uma vertente de mistério essencial a qualquer religião que se preze. Em vez
de uma parcela dos lucros, a única “recompensa” que
teve foi o enclausuramento forçado, o voto de silêncio
que lhe foi imposto para evitar que fizesse comentários embaraçosos
e um hábito que, mesmo para os padrões das freiras enclausuradas,
é considerado dos mais pobres em termos de conforto, estilo e
apelo ao sexo oposto (o incidente que envolveu o bispo de Viseu e as
Carmelitas de Aveiro não deve ser tido em conta porque é
sabido que o vinho da Eucaristia é muito traiçoeiro). O advogado de Lúcia, José Maria Martins, célebre por defender Bibi no processo Casa Pia, promete levar o processo até às últimas consequências em defesa dos direitos da vidente. A única resposta que recebeu até agora do cardeal José Saraiva Martins, presidente da Congregação para as Causas dos Santos, organismo do Vaticano responsável pelas beatificações e canonizações, deu conta de que a Igreja não pode beatificar ou canonizar alguém que ainda não morreu. Para José Maria Martins, trata-se de um caso grave de discriminação. |