Morais Sarmento quer trocar cultura por viagens
“É vegdade que os pogtugueses já não ligam um chavo à cultuga mas o objectivo deste govegno é tgansfogmague todos os pogtugueses em imbecis ainda mais pegfeitos do que já são. Um pouco à nossa imagem,” afirmou o ministro. O programa foi inspirado pela polémica afirmação de Morais Sarmento acerca do magazine cultural “Acontece” transmitido pela RTP 2, segundo o qual, seria mais barato para o Estado pagar uma viagem à volta do mundo para cada espectador do programa do que mantê-lo no ar. De acordo com o ministro da presidência, a partir de agora, em vez de se anunciar o lançamento de um livro sobre a lenta caminhada do reino do Butão em direcção ao século XXI ou sobre a luta dos índios Xingu brasileiros pela sua subsistência enquanto povo, quem estiver interessado neste ou noutros assuntos poderá visitar os locais em questão e aprender directamente no terreno, enriquecendo assim a sua cultura geral. Em alternativa, os portugueses poderão rumar em massa a estâncias turísticas afamadas e passar semanas a torrar ao Sol num paraíso tropical qualquer. A decisão entre enriquecimento cultural e bronze fica ao critério de cada um de forma a , de acordo com o governo, “incentivar nos cidadãos o gosto pela tomada de decisões com consciência cívica.” O processo de atribuição das viagens não é arbitrário. Os cidadãos que desejem candidatar-se à atribuição de uma viagem deverão dirigir-se às bancas que serão instaladas propositadamente para o efeito em hipermercados, centos comerciais e outras áreas de grande afluência de público, e entregar livros, discos de música clássica ou cassetes VHS ou DVDs contendo filmes de realizadores europeus. O material entregue será pesado e posteriormente efectuar-se-á o cálculo dos quilómetros de viagem a atribuir. Quanto maior for a quantidade mais longínquos poderão ser os destinos à escolha. Com
esta medida, o governo espera conseguir ultrapassar o desnível
cultural existente entre uma elite com acesso ao que normalmente se designa
por “cultura” e a maioria da população que é
afectada pelo analfabetismo funcional ou efectivo. Num prazo de seis anos,
espera-se que se verifique uma uniformização do nível
cultural de toda a população, ou seja, que todos os portugueses
sejam igualmente ignorantes. |