Mota Amaral pede caipirinha a Lula
No entanto, o incidente da caipirinha vem explicar o sucedido. Ao que parece, Mota Amaral não saberia que o homem sentado a seu lado na tribuna era o presidente brasileiro. De acordo com o próprio: “é óbvio que se soubesse que era ele não tinha dito o que disse. Não sou tão indelicado como as pessoas possam pensar. Vi ali um barbudo ao meu lado e pensei que fosse um moço de recados privativo.” As declarações polémicas não tardariam a ser remetidas para segundo plano quando, finda a cerimónia, Mota Amaral se voltou para Lula e lhe disse “ó rapaz, vá-me buscar uma caipirinha que estou a morrer de sede.” O presidente terá sorrido e ter-se-á esquivado delicadamente a aceder ao pedido, afastando-se do local mas Mota Amaral insistiu, perguntando mais tarde ao embaixador brasileiro em Lisboa, José Gregori, “onde estava aquele rapaz de barbas que tinha ficado de lhe trazer uma caipirinha e nunca mais.” As autoridades portuguesas e brasileiras terão concordado em camuflar o sucedido para evitar um incidente diplomático. Posteriormente, o presidente do parlamento português apresentaria um pedido de desculpas em privado a Lula, afirmando ter “um grande respeito pelo povo irmão do Brasil” e ser sempre “muito bem atendido pelos empregados brasileiros dos restaurantes que frequento.” Mota Amaral concluiu o pedido de desculpas com a frase “os brasileiros devem ser mesmo um povo magnífico por não terem quaisquer problemas em eleger para o principal cargo da nação um homem tão feio e rude,” motivando um “muito obrigado” gaguejado por Lula. Este comportamento da segunda figura da hierarquia governativa nacional aliado a outros do passado, motivou um coro de críticas vindas de figuras públicas de vários sectores e de cidadãos comuns que acusam Mota Amaral de viver “num mundo de fantasia só dele” de onde se recusa a sair e de não “compreender o que se passa à sua volta”. Mota Amaral respondeu a estas críticas, dizendo que “se há cidadãos que acham que eu vivo num mundo de fantasia só meu têm direito a pensar dessa maneira e é por isso que lá em São Miguel as pessoas costumam fazer um pastel grande à base de farinha de milho e sumo de abacaxi que decoram com passas e usam para enfeitar os cornos das vacas que puxam os andores em dias de procissão.” |