Filme de João Botelho coloca Portugal no eixo do mal
O
governo português foi alertado pela embaixada na capital americana
que um cartaz do filme, no qual a actriz Alexandra Lencastre sorri embrulhada
numa bandeira dos Estados Unidos, chegou às mãos da CIA
e, ao que parece, não terá agradado nada à administração
de George W. Bush, havendo quem dê como certa a inclusão
de Portugal na lista de países do eixo do mal da qual já
fazem parte o Iraque, a Coreia do Norte e o Irão. Um
porta-voz do Departamento de Estado americano contactado pela Inépcia
escusou-se a confirmar se Portugal passa a partir de agora a ser oficialmente
um país do eixo do mal mas admitiu que "os Estados Unidos
estão profundamente desgostosos com esta traição
de um país que sempre vimos como nosso aliado." O desgosto
americano é agravado ainda mais pelo facto de a estreia do filme,
a 21 de Março, ter acontecido menos de uma semana depois da cimeira
dos Açores em que Durão Barroso, José Maria Aznar,
Tony Blair e George W. Bush decidiram o que iam jantar nesse dia. O
ministro dos Negócios Estrangeiros, Martins da Cruz, recebeu já
uma carta oficial das autoridades de Washington em que se dá conta
dos elementos que mais desagradaram aos nossos aliados do outro lado do
Atlântico. Por um lado, o título e o tema do filme são
vistos como sendo lesivos para a dignidade dos Estados Unidos e do povo
americano. Por outro, considera-se que o facto de Alexandra Lencastre
surgir no cartaz embrulhada na bandeira americana é um ultraje
ao símbolo máximo do país, algo que é agravado
pela indicação subliminar de que a actriz estaria nua por
baixo. O realizador João Botelho respondeu a estas acusações
considerando que, em primeiro lugar, o filme ainda não estreou
nos Estados Unidos e ninguém na administração americana
o pode ter visto para dizer que o tema é ofensivo. De igual modo,
João Botelho considera que "entre os 11 milhões de
portugueses que podiam ter sido fotografados nus embrulhados na bandeira
dos Estados Unidos, a escolha de Alexandra Lencastre até foi francamente
lisonjeadora" e acrescentou que "se calhar preferiam o Carlos
Castro ou a Teresa Guilherme, não?" Após
divulgação da resposta do realizador junto das autoridades
americanas, o Departamento de Estado considerou que "não é
necessário ver o filme para perceber que o tema é ofensivo",
integrando esta posição na política de agressão
preventiva que o país tem seguido nos últimos tempos. |