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| E-zine satírico sem corantes nem conservantes | |||
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"Não és bicha não és nada" estreia em Dezembro
Mesmo numa sociedade tradicionalmente machista e pouco tolerante para com a homossexualidade como é a portuguesa, a aceitação foi tão grande que o director de programas da SIC, Manuel da Fonseca, admitiu estar já em preparação uma nova versão do programa, desta vez, invertendo os papéis e submetendo homens assumidamente homossexuais com o inventário completo de características atribuídas aos gays pelos estereótipos (maneirismos efeminados, apurado sentido de gosto e moda, talento para a decoração de interiores e dedicação incondicional a divas como Liza Minelli, Barbra Streisand ou a nossa Simone de Oliveira) a uma operação exaustiva de mudança de visual e de hábitos coordenada por uma equipa de cinco machos à antiga portuguesa. O "Esquadrão M" (M de "macho") já está escolhido. Eles são Arnaldo Antunes, 41 anos, camionista, especialista em etiqueta; Januário Carrascão, 57 anos, sargento da Marinha reformado, especialista em moda; Leonel Marrazes, 38 anos, segurança, especialista em culinária; Fernando Vasco, 40 anos, maquinista da CP, especialista em decoração; e, finalmente, Octávio Peixoto, 44 anos, talhante, especialista em cuspir e arrotar. Menos difícil
foi a escolha dos participantes em "Não és bicha
não és nada," título provisório do
programa, pela quantidade de casais gay em que um dos elementos deseja
que o outro se torne mais masculino. O programa de estreia contará
com a participação de João Ivo, cabeleireiro de
29 anos, inscrito pelo seu companheiro, Rui, que confessa o sonho de
ver a sua cara metade transformada num híbrido de machão
tradicional com rapaz sensível que sabe fazer madeixas como ninguém.
Essa orientação varia em cada programa, levando em conta as particularidades dos participantes mas haverá um conjunto de elementos a que o "Esquadrão M" promete ter sempre especial atenção. São eles: a necessidade imperiosa de subscrever a Sport TV e obrigatoriedade de ver, pelo menos, um jogo de futebol de cada um dos principais campeonatos europeus por semana, com anotação das principais ocorrências do jogo para discussão; a inclusão de alguns elementos másculos no discurso e comportamento quotidiano, sobretudo no relacionamento amoroso (por exemplo, durante passeio pelo Ikea, gritar ao companheiro: "MEXE-ME ESSA PEIDA QUE TENHO DE IR PARA CASA VER A FÓRMULA 1, PANELEIRO DA MERDA!"); e, também muito importante, o espancamento bi-mensal, prova inequívoca de que, quem ama a sério, manifesta-o através de uns sopapos bem aplicados. |
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