Nino Vieira oferece alojamento a Kumba Ialá
Kumba
Ialá foi deposto por um golpe levado a cabo pelas forças
armadas descontentes com a crise económica em que o país
estava mergulhado e que já colocaram a Guiné-Bissau na honrosa
posição de terceiro país mais pobre do continente
africano, o que equivale a dizer que é o terceiro país mais
pobre do mundo. Já em 2001, um outro golpe de estado tentou derrubar
o presidente que, apesar de ter sido democraticamente eleito, se tem vindo
a comportar como um ditador, prendendo opositores políticos, encerrando
jornais e rádios e usando um chapéuzinho ridículo,
símbolo emblemático de qualquer ditador africano que se
preze. Se o golpe de 2001 falhou, resultando na morte do seu mentor, Ansumane
Mané, o homem que liderou o golpe que derrubou Nino em 1999, o
novo golpe aproveitou a participação da facção
balanta das forças armadas, a etnia do presidente, em operações
de manutenção de paz na Libéria para, sem disparar
um único tiro aprisionar Kumba e os membros do governo. Se o presidente guineense agora deposto aceitar a oferta do seu antecessor, deverá ser transportado para Portugal e instalado num quarto na residência particular de Nino Vieira. “Vai ser bom ter cá alguém em casa com quem partilhar experiências presidenciais. Até agora o único presidente deposto com quem podia falar era o Luís Cabral mas ele não fala comigo e eu não lho levo a mal até porque fui eu que o depus,” afirma Nino com um sorriso nostálgico. Por enquanto, ainda não se conhece a disponibilidade de Kumba para aceitar a oferta porque as forças armadas guineenses não permitem o contacto entre o ex-presidente e a comunicação social mas Nino adianta que planeia convidar Kumba para ser seu sócio num projecto antigo. “Estou a pensar abrir uma pensão em Lisboa para líderes africanos depostos. Se olharmos para a história do continente desde a descolonização, é fácil ver que clientes não vão faltar,” refere. Questionado sobre o futuro político do general Veríssimo Seabra, líder dos golpistas que assumiu a presidência interina da Guiné-Bissau, Nino Vieira adianta que “vamos guardar um quarto para ele na tal pensão que, em princípio, se chamará Residencial Mobuto em homenagem a um dos mais carismáticos presidentes africanos depostos do século XX.” |