Pacheco Pereira eleito primeiro-ministro da blogosfera
Os blogues começaram por ser meros diários online mas depressa se tornaram numa autêntica mania à escala mundial. Em Portugal, tardaram a chegar mas alcançaram em pouco tempo o estatuto de esfera opinativa por direito próprio, chegando-se ao ponto em que ter um blog passou a ser pré-requisito para se ser alguém na vida, não querendo isto dizer que baste ter um blog para se ser alguém, já que, pela última contagem, existem três pessoas em Portugal que não mantêm nem nunca mantiveram um blog, sendo que duas delas estão em coma profundo e a terceira trabalha como vigia na reserva natural das Ilhas Selvagens e, das muitas aves que nidificam no arquipélago, não consta que alguma tenha ligação à internet. A
declaração de autonomia da blogosfera portuguesa foi subscrita
por várias personalidades ilustres, encabeçadas pelos referidos
Pacheco Pereira e Francisco José Viegas. No texto, pode ler-se
que “com esta declaração, os bloguistas portugueses,
conscientes da conquista de uma identidade independente da realidade portuguesa
e superior a ela, declaram unanimemente a separação dos
blogs à sua responsabilidade da República Portuguesa e sua
constituição como entidade autónoma da dita República
com órgãos governativos próprios.” A declaração
foi prontamente aceite pelo governo português já que, de
acordo com o ministro Adjunto, José Luís Arnaut, “da
maneira como as coisas estão, quanto menos gente tivermos que governar
melhor é. Encorajamos qualquer colectividade ou grupo de cidadãos
a declarar a sua autonomia ou mesmo a independência.” Para o seu governo, Pacheco Pereira, satisfeito por poder mandar em alguém (algo que não acontecia desde que foi presidente do grupo parlamentar do PSD em 1995 e chefe da brigada juvenil do PCTP-MRPP responsável pelo desenvolvimento de uma bomba nuclear de fabrico caseiro a partir de detergentes para a louça, banha de porco e aguardente), pretende convidar outros bloguistas ilustres. Para já, o único que se conhece é o autor do blog “O Meu Pipi” que Pacheco gostaria de ter como seu ministro da Cultura. No entanto, a Inépcia contactou o “Pipi” e foi informada de que os únicos cargos ministeriais que consideraria aceitar seriam os de ministro dos Assuntos Fodaceiros ou secretário de Estado da Inspecção Conaçal. Aguardam-se mais desenvolvimentos. |