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| E-zine satírico sem corantes nem conservantes | |||
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Sonhemos, irmãos Portugal 2006, a euforia da vitória
A euforia futebolística contaminou toda a sociedade e não tardou até o primeiro-ministro, José Sócrates, anunciar que Portugal entraria numa nova era, uma era de prosperidade sem limites, e assinar os documentos pelos quais o país renunciava a receber fundos da União Europeia, decisão aplaudida por todos os partidos. No dia seguinte ao anúncio, as empresas internacionais estabelecidas no país mudaram-se para a Eslováquia e as empresas nacionais fizeram o mesmo dois dias mais tarde. As principais actividades económicas portuguesas passaram a ser a colecta de impostos e os jogos de fortuna e azar da Santa Casa da Misericórdia, de imediato nacionalizada e com falência decretada nos dois meses que se seguiram. Para evitar que os níveis de desemprego atingissem proporções dignas do continente africano, o Estado contratou todos os cidadãos em idade útil como funcionários públicos, cancelou o pagamento de reformas por tempo indefinido e desmantelou a rede ferroviária, eléctrica e de telecomunicações para vender os componentes para a sucata e poder angariar fundos para pagar a parcela que faltava do prémio de Scolari. O governo cai depois de inaugurar o maior parque aquático da Europa no Algarve que permanece aberto durante apenas três semanas até esgotar todas as reservas de água do país, dando início a uma longa seca de quatro anos que reduziu a população para metade (mas que conseguiu fazer o mesmo ao desemprego). O
fadista Nuno da Câmara Pereira vence as eleições
legislativas ao leme do recém-formado Partido Nacional Marialva
(PNM) e promove a realização de um referendo que restabelece
a monarquia em Portugal. Vicente da Câmara é coroado o
primeiro rei da dinastia dos Câmaras, morrendo dois dias depois
da coroação, vítima de cornada sofrida numa largada
de touros na Chamusca. Sucede-lhe o filho José (José II),
assassinado com o lançamento de uma senhora muito gorda do alto
de um segundo andar quando fazia visita oficial ao Barreiro. Gonçalo
I reinou apenas durante um mês, morrendo com uma overdose de testosterona
e foi sucedido por Nuno (Nuno I) que acumulou os cargos de monarca e
primeiro-ministro e passou a governar de forma absoluta. Foi o melhor que nos podia ter acontecido. Houve grande empatia com os nossos novos vizinhos desde o início (ultrapassado o conflito fronteiriço com o Belize e a guerra com a Guatemala desencadeada pela TVI como novo reality-show) e depressa nos tornámos num exemplo de desenvolvimento e estabilidade na região, atrás apenas do México, da Costa Rica, do Panamá, da Nicarágua, da República Dominicana e das Honduras. Quanto ao futebol, a causa de toda esta mudança, também mudou bastante. O FC Porto acaba de vencer pela terceira vez consecutiva a Liga dos Campeões Centro-Americanos (apesar das acusações de corrupção e falsificação de resultados a que já ninguém liga) e a selecção, depois da suspensão de sete anos que se seguiu ao amigável com a Hungria, durante o qual Cristiano Ronaldo se enfureceu com os largos minutos em que o público húngaro não gritou o seu nome e acabou por violar metade dos 37 mil espectadores, estamos bem encaminhados para chegar ao Mundial de 2018 na Coreia do Norte. Só falta ganhar à Jamaica por mais de quatro golos de diferença e esperar que Cuba ganhe a Barbados e o Panamá não sofra cinco golos sem resposta frente a El Salvador. |
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