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| E-zine satírico sem corantes nem conservantes | |||
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As aparências iludem Cavaco Silva pode não ser um candidato a sério
Amigos próximos do general e ex-presidente (os dois que tem e que o tratam ambos por “meu general” apesar da proximidade e afeição) acederam em trocar o recato do amigo por umas caipirinhas improvisadas com diluente e raspa de limão e confessaram que, nas noites de bisca erótica na casa dos Eanes ao Lumiar, tem-se falado com frequência num regresso do patriarca Ramalho a Belém. No entanto, o principal problema de uma eventual recandidatura de Eanes seria o efeito nocivo de um longo afastamento da política activa que faria com que, a muitos eleitores, o seu nome pouco ou nada dissesse. Para contornar esse problema, contactou-se, Cavaco Silva, alguém que os portugueses vêem com uma aura de salvador político do país, e que se disponibilizou a colaborar em troca de uma noite de convívio íntimo com o cabelo lacado de Manuela Eanes que adquiriu vida própria em meados de 1989 e começou a comportar-se como uma verdadeira leviana (o cabelo e não Manuela Eanes). Cavaco dará a cara em todas as acções de campanha, remetendo-se Ramalho Eanes para a discreta posição de presidente da sua comissão de honra. No dia das eleições, o boletim de voto terá o nome do general e uma fotografia manipulada para ficar ligeiramente parecido com o antigo primeiro-ministro, esperando-se que a sofreguidão sebastianista dos eleitores não lhes permita dar pela marosca. A seguir à esperada vitória, Cavaco retirar-se-á para uma ilha dos mares do sul com a família e a sua betoneira de estimação, enquanto que Ramalho dará início a mais um glorioso mandato à frente dos destinos do país que aprendeu a amar a sua dicção sem mácula e a rigidez provocada pelas ceroulas de cota de malha que usa desde pequenino. |
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