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| E-zine satírico sem corantes nem conservantes | |||
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Relato da anual queca d’El-Rei numa hipotética monarquia lusitana do século XXI
No salão nobre do Palácio da Ajuda, o Rei está instalado na real poltrona forniqueira, peça de mobiliário do século XVI onde, de forma quase ininterrupta, se tem realizado a real queca anual, instituição milenar e fundamental para a subsistência da monarquia pelo papel crucial que desempenha na produção de herdeiros. Nos lugares de honra que rodeiam a poltrona, estão instalados os altos dignatários convidados para assistir à cerimónia. Entre os mais distintos, incluem-se o Grão-Duque da Finlândia, o Príncipe das Astúrias, o Rei da Bélgica e o idoso Príncipe do Liechtenstein já com as calças em baixo, sem querer perder tempo precioso no tradicional acompanhamento masturbatório com que os convivas brindam os reais fornicantes. Sentado à direita de Sua Majestade numa cadeira elevada, o Cardeal Patriarca vai conversando com o Rei e partilhando os tradicionais comentários picantes destinados a ajudar à real erecção. Brados
populares de júbilo à entrada do Palácio anunciam
a chegada da Rainha, conduzida com o seu séquito ao salão
nobre por um moço que transporta o grande estandarte da Congregação
da Pardaleca Real e por uma troupe de tocadores de caixa. Nesta altura,
o camareiro-mor procede à entrega da chave dos reais truços
chapeados a ouro e a Rainha gira-a na fechadura, expondo o real membro,
exemplo de virilidade e orgulho de uma nação, não
tanto pelas dimensões mas pelo porte majestático. Cumpridas as duas chupadelas exigidas pelo protocolo e observadas com comoção compreensível pelos pais da real esposa, o Conde e a Condessa de Coina, a Rainha bochecha com o real elixir bucal e agradece os aplausos do público. Como é habitual, entre uma chupadela e a outra, procedeu-se a uma pausa de dois minutos na qual a Rainha priva brevemente com os convidados e é substituída nos seus deveres orais pelo Cardeal Patriarca. À porção oral da real queca, segue-se a real penetração em que as genitálias do casal régio são unidas de forma bem lubrificada até que ocorra a real ejaculação e a alva semente da Casa de Bragança inunde a cavidade bem tonificada e típica das mulheres da Casa de Hohenzollern-Wirckau-Coina e também de um ou outro homem. Para facilitar o orgasmo de Sua Majestade o Rei, é-lhe introduzido um pingente de ouro maciço que tem massajado as miudezas posteriores de todos os monarcas desde D. João VI sem ser lavado, permitindo apressar a cópula e deixar mais tempo livre para assuntos de Estado. Setenta
segundos de prazer extasiante depois, a Rainha entoa a fórmula
tradicional “Oh! Quam grossus est!”, louvando as dimensões
do real falo e o Rei pode então atingir o clímax, ponto
central da secular cerimónia da real queca. Para finalizar
a cerimónia, e antes de se virar para o lado e dar início
à real sesta pós-copulatória, o Rei pergunta ainda
à Rainha se esta lhe concede o acesso à sua abertura posterior
ao que esta deverá responder com uma expressão chocada
e o comentário “Queira Vossa Majestade saber que o prazer
anal não é do meu agrado e que já não há
óleo de linhaça na cozinha para facilitar a entrada.”
Cumpridos todos os preceitos, o Cardeal celebra a eucaristia da real
queca e abençoa os presentes, a nação e o mundo,
exprimindo os seus votos de felicidades a todos na esperança
de que reinem a paz e a harmonia até à queca do ano seguinte. |
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