Tomás Taveira reclama autoria do Mosteiro dos Jerónimos, da Torre Eiffel e da Grande Muralha da China
“Agora que este processo está bem encaminhado, acho que está na altura de reclamar a autoria de outros projectos meus pelos quais não tenho o reconhecimento merecido,” afirma o homem que conseguiu unir cor-de-rosa, azul, vidros espelhados e bicos dourados na fachada do mesmo edifício, “Para quem não viu os meus filmes, sou um gajo com tomates e não me vou poupar a esforços para que se faça justiça.” O arquitecto pretende ver corrigidas todas as referências aos monumentos citados de forma a que mencionem de forma explícita e sem dar lugar a dúvidas quem foi o seu autor. O facto de os três monumentos terem sido concluídos muito antes da data de nascimento do arquitecto não parece constituir entrave à sua argumentação, considerando estar “habituado a situações apertadas” e tendo aprendido que “desde que sejam bem oleadas, as coisas acabam sempre por ir ao sítio.” Para justificar a sua posição, Taveira colocará de parte a questão da data de conclusão dos projectos que considera ser secundária e centrará os seus esforços na demonstração de que é notória a presença nos três casos de elementos indiscutíveis daquilo a que muitos chamam “o estilo Taveira” enquanto que outros preferem optar pela definição “que merda é aquela?” No caso do Mosteiro dos Jerónimos, o arquitecto e os seus advogados preparam-se para demonstrar que a pedra branca do edifício estava originalmente coberta por tinta rosa, laranja, verde e amarela. Para provar esta afirmação, serão feitas análises a fragmentos de pedra do mosteiro que ainda deverão ter vestígios de tinta. Se não tiverem, ficará provado que existe uma cabala para destruir o bom nome de Tomás Taveira (inserir gargalhada aqui). Quanto aos outros monumentos, o arquitecto português pretende demonstrar que Gustave Eiffel não pode ter construído a torre com o seu nome porque “não era homem para isso” e que a Grande Muralha da China é uma adaptação do seu projecto para o hospital pediátrico de Coimbra com uma quase imperceptível alteração que permitiu alterar a funcionalidade do edifício do acolhimento de crianças doentes para a defesa do império chinês contra o ataque de tribos nómadas. Se tudo correr como previsto, em breve, Tomás Taveira poderá acrescentar os três monumentos referidos ao seu já extenso portfolio que inclui, por exemplo, o complexo Amoreiras, a estação de metro de Olaias, três estádios para o Euro 2004 e a expressão “Ui ca bom” (copyright-Tomás Taveira 1993). |