|
|||
| E-zine satírico sem corantes nem conservantes | |||
|
Always look on the bright side of life Personalidades que dariam piores presidentes do que Cavaco Silva As eleições
estão aí e é chegada a altura de começarmos
a encarar a verdade dos factos. Senhoras e senhores, meninas e meninos,
estimável público, o mais provável é que
o vencedor seja Cavaco Silva. E logo à primeira volta. Para matar
as esperanças de vez. Não querer Cavaco como presidente
é mais do que uma mera questão política. É
uma questão de bom senso e de bom gosto. Uma salvaguarda da higiene
mental do país. Todos nos lembramos do senhor “nunca me
engano e raramente tenho dúvidas – deixem-me trabalhar
– mastigador compulsivo de bolo-rei” mas é sabido
que não são precisos muitos anos para a memória
colectiva dos povos transformar assassinos em santos, ditadores em patriotas
e o carapau seco de Boliqueime num Dom Sebastião renascido nos
tempos modernos.
Apesar da personalidade algo indomável do lendário rei dos hunos que talvez só conseguisse granjear apoios junto do Bloco de Esquerda, Átila poderia muito bem conseguir conquistar a confiança dos eleitores portugueses com promessas de riqueza e glória e com a possibilidade muito concreta de, pelos seus méritos como estratega e líder, levar à letra o slogan “Portugal Maior” da candidatura de Cavaco e estender o país pela Espanha adentro e talvez ainda mais além. Mas não haveria apenas elementos positivos em ter Átila como presidente. Pense-se, por exemplo, em como seria problemática a relação institucional com o primeiro-ministro e nas possibilidades que José Sócrates teria de ser decapitado, esquartejado e usado para alimentar cães vadios após o primeiro diferendo ligeiro.
Com uma reputação verdadeiramente maquiavélica e oriunda de uma família de déspotas, a carismática filha do Papa Alexandre VI daria um presidente e tanto para um país tradicionalmente visto como sendo de “brandos costumes.” Em pouco tempo, o pacato Palácio de Belém ver-se-ia transformado em palco de orgias constantes de uma devassidão tal que ofuscaria a animada vida nocturna das imediações da Casa Pia mesmo ali ao lado. Como principal diferença entre Cavaco e Lucrécia, refira-se que a segunda conseguiria dar usos à boca capazes de chocar muito mais gente do que a mastigação escancarada do primeiro. E Lucrécia ficava melhor de vestido (sem desprimor para as pernas esculturais que tornaram Aníbal famoso por todo o Sotavento algarvio).
É comum dizer-se que Cavaco Silva tem tendências autoritárias. Mas, quando comparado com um ditador à moda antiga como Pinochet, o nosso pachorrento Aníbal parece quase tão esquerdista como o mais borbotoso activista da JCP. Além dos problemas óbvios, um mandato presidencial de Pinochet em Portugal teria a agravante de ser uma personalidade com experiência prévia de relacionamentos conturbados com governantes socialistas.
Também não falta quem considere que os tão apregoados rigor e competência de Cavaco Silva como especialista em finanças e governante não passam de um mito e que o antigo primeiro-ministro é quase tão inepto como parece sempre que faz uma intervenção pública. Mas, pelo menos, será sem dúvida mais inteligente do que o simpático personagem da Disney e companheiro de aventuras do Rato Mickey. Só não consegue ter um ar mais simpático. Paula Bobone
Porque nem todos os candidatos a “pior presidente do que Cavaco Silva” têm de ser estrangeiros, cabe a Paula Bobone, conceituada especialista em etiqueta e criação de grilos para efeitos de adestramento circense, defender as cores nacionais. A presidente Bobone seria uma mulher habilitada como poucos para proceder à distribuição dos talheres num banquete em honra do Grão-Duque do Luxemburgo durante visita de Estado. No entanto, teria algumas dificuldades para localizar o Luxemburgo no mapa. Ou para contar os dedos dos dois pés de uma só vez e de forma consecutiva. Satanás
A possibilidade poderá parecer aterradora para alguns mas, quem acha que Portugal precisa de um presidente forte não ficaria desiludido com a prestação do Príncipe das Trevas. Não tolerando opiniões discordantes, o presidente Belzebu seria, sem dúvida, um partidário da mudança para um regime presidencialista e não hesitaria em recorrer ao veto ou à condenação de membros do executivo a cozinhar durante toda a eternidade no grande churrasco infernal. Mas talvez fosse difícil agradar à opinião pública com o estabelecimento de uma noite perpétua de cruéis torturas demoníacas sobre as carnes tenras dos eleitores. |
|||