Americanos forçaram prisioneiros de guerra a ver a TVI
Nelas, pode ver-se um grupo de prisioneiros iraquianos, ao que tudo indica, membros da temida guarda republicana de Saddam, detidos na cadeia de Al-Katrah nos arredores de Bagdad, de mãos atadas, sendo forçados a olhar para um écran em que eram projectadas imagens de programas da TVI. No pescoço de cada um, foi colocado um dispositivo que emitia descargas eléctricas sempre que algum dos prisioneiros tentava virar a cara para outro lado. Ocasionalmente, os militares americanos presentes e que parecem deleitar-se com o sofrimento alheio enquanto usam as mãos para escudar as imagens da televisão, agridem os prisioneiros que tentam fechar os olhos com bastões envolvidos em arame farpado. A Amnistia Internacional já reagiu às imagens, qualificando este tipo de comportamento como “desumano e absolutamente inaceitável mesmo num cenário de guerra como o que se vive actualmente no Iraque,” recordando ainda que qualquer utilização militar de programas da TVI é expressamente proibida pela Convenção de Genebra. O
secretário da Defesa americano, Donald Rumsfeld, voltou mais uma
vez a pedir desculpa ao povo iraquiano e à comunidade internacional
pelo comportamento dos seus militares e garantiu que os responsáveis
serão severamente punidos pelos seus actos. “É claro
que aquele comportamento não pode ser desculpado mas não
nos podemos esquecer de que o exército iraquiano bombardeou as
nossas tropas com galas da Operação Triunfo, o que pode
constituir uma atenuante,” afirmou. Nas imagens a que tivemos acesso, são visíveis prisioneiros iraquianos a uivar de dor quando forçados a acompanhar a reportagem efectuada por um Marco em pelota na colónia nudista brasileira da Colina do Sol ou o magazine cultural “Toma Lá e Não Chora”, nunca exibido por motivos de decoro, em que Marco terminava cada programa com uma referência à actividade cultural a desempenhar nessa noite. O programa foi cancelado quando Marco resolveu dizer “eu hoje vou apalpar uma boazona... ‘tou a brincar pá... não vou nada que eu agora sou um gajo casado e pai de filhos... mas bem me apetecia, ó catano” no final da primeira edição. José
Eduardo Moniz, director da TVI, considera natural que “uma televisão
de sucesso como a TVI tenha audiências também no Iraque”
e confessa que o método de aplicar choques eléctricos às
pessoas que se recusarem a ver as emissões do canal é prática
corrente também em Portugal, o que explica em parte o sucesso alcançado.
“Além disso, o I da nossa sigla também pode querer
dizer Iraque e estamos já a pensar montar uma filial em Bagdad,”
afirma, “Até já contratámos o Manuel Luís
Goucha e a Carla Andrino para fazerem umas emissões especiais do
Olá Portugal em árabe. |