Nova RTP 2 define plano de acção para alcançar audiência zero
A audiência zero como objectivo surgiu no período em que se estudava uma forma de entregar a RTP 2 à “sociedade civil,” promessa várias vezes feita pelo ministro da tutela, Nuno Morais Sarmento, depois de longos meses em que tentou explicar o que entendia ao certo por “entrega à sociedade civil,” e após reunião que redundou em noite de copos num bar colunável de Lisboa. Ao fim da noite, Vasco Graça Moura, um dos convidados para a sessão de “brainstorming” sugeriu, já algo tocado pelo vodka com laranja, que a melhor contribuição que um canal como a RTP 2 poderia dar à evolução cultural dos espectadores seria não ser visto, possibilitando ao espectador dedicar-se a actividades mais proveitosas para a sua formação pessoal tais como a leitura, a prática desportiva ou a veneração dos grandes ícones culturais do nosso tempo como o próprio Vasco Graça Moura. Como a noite já ia longa e o bar já estava quase a fechar, o grupo recebeu de braços abertos a ideia e cada qual foi para a sua casa curar a borracheira respectiva. Posteriormente, traçou-se o plano de acção que permitirá atingir as almejadas audiências zero. Começou-se pelo nome do novo canal. A velha designação RTP 2 foi abandonada por consciência de que as siglas são contrárias à estética pós-moderna e optou-se por um nome composto por uma única palavra. Ao longo dos anos, os portugueses habituaram-se a chamar carinhosamente “segundo” ao segundo canal da RTP mas este termo contém em si uma imagem de subalternização que se considerou ser bastante negativa. A escolha acabaria por recair sobre a forma por extenso do número identificativo do canal com a vantagem de, ao chamar “A Dois” a um canal de televisão, evoca-se todo um imaginário deprimente capaz de levar o teledependente mais agudo a desligar o televisor. Se o nome por si só não funcionar, Manuel Falcão promete uma programação repleta de cidadania. Questionado sobre o que entende por “cidadania”, Falcão explicou que “não sei muito bem mas envolve debates com políticos que não conseguem aparecer em mais lado nenhum, programas sobre o código da estrada, e palestras de bombeiros sobre o que fazer em caso de abalo sísmico.” Para ajudar ainda mais, a “Dois” contará com o precioso auxílio de um dos mais populares vultos culturais autoproclamados do país, Anabela Mota Ribeiro, que terá a seu cargo o “Magazine,” programa de informação cultural que Anabela espera a ajude a concluir as cadeiras que faltam do curso de Filosofia que interrompeu quando o apelo da cultura foi mais forte e se dedicou a apresentar o programa “Praça da Alegria” com Manuel Luís Goucha. |