Descoberto sósia de Saddam Hussein em Portugal
Seleccionado, Casimiro foi presenteado com dois meses de férias pagas em Bagdad que aceitou sem pensar duas vezes. “Confundi Bagdad com Bahamas mas até é parecido. As pessoas são é um bocadinho menos escuras e tem de se andar mais para chegar ao mar,” recorda. Em Bagdad, foi transportado para as instalações do ministério do interior iraquiano onde foi submetido a um programa intensivo de treino com o objectivo de o tornar o mais parecido possível com Saddam Hussein. No programa participaram mais sete homens, todos com as mesmas características físicas e todos iraquianos. Dos oito, Casimiro era o menos parecido com Saddam mas, segundo conta, os iraquianos pretendiam alguém para representar o presidente num dia mau. No fim dos dois meses, os oito candidatos a sósias presidenciais deveriam possuir um conjunto de conhecimentos que lhes permitisse convencer qualquer observador atento de que eram realmente Saddam Hussein. Deviam mover-se como Saddam, falar como Saddam e até coçar o nariz como Saddam. Casimiro foi submetido a uma formação especial para ficar familiarizado com a língua arábe e com a cultura iraquiana. Para além disso, deveria converter-se à religião islâmica para que a ilusão fosse perfeita. “Era só o que faltava,” lembra, “Queriam que um gajo fosse muçulmano ou lá o que é. Eu até nem era pela religião que nunca fui muito de ir à missa mas queriam que eu deixasse de comer carne de porco porque era impura, ó caraças. E eu quem me tira um bom coirato tira-me tudo.” Depois
de se tornar o único muçulmano do mundo com autorização
oficial para comer carne de porco, Casimiro foi enviado para Lisboa. Os
seus conhecimentos da língua árabe limitam-se ao facto de
saber que “usam umas letras estúpidas que parecem rabiscos
e escrevem ao contrário da gente mas também não faz
mal porque quem escreve são os maricas” e o que sabe da cultura
iraquiana não vai muito além da gastronomia. “Nem
vinho têm, ó caraças,” afirma. |