Zé Maria acredita ser Jesus Cristo
“De repente, tudo começou a fazer sentido,” confessa o autoproclamado Messias, recordando que o primeiro indício da sua verdadeira identidade lhe surgiu quando se encontrava na ponte 25 de Abril, preparando-se para se lançar ao Tejo. Mais tarde, uma voz interior disse-lhe que deveria despir-se e sair à rua nesses preparos, levando os dois gatos consigo, numa atitude que muitos interpretaram como loucura provocada pelo fim repentino da atenção mediática que o barranquenho teve desde que ganhou a primeira edição do concurso “Big Brother.” “Estava sentado a olhar para o Tejo,” conta, “quando passou um rebocador à minha frente. Segui-o com o olhar e dei de caras com a estátua do Cristo-Rei. Percebi logo que aquilo só podia ser um sinal e então reparei no nome do rebocador. Chamava-se Espírito Santo.” A
Inépcia contactou António Lobo Antunes, o psiquiatra que
o tem acompanhado e procurou saber se isto é apenas mais um delírio
ou se Zé Maria é mesmo o filho de Deus. “Não
sei,” confessou o consagrado romancista, “É que no
outro dia apareci na primeira-página do 24 Horas e ainda estou
em estado de choque.” Em relação às possíveis
repercussões do comportamento messiânico na condição
psicológica de alguém que pode ainda estar fragilizado pelos
acontecimentos recentes, o médico-escritor considera que “Pode
ser que sim... mas também pode ser que não. Eu já
vos disse que apareci no 24 Horas? Porra...” Entretanto,
alheio a tudo isto, Zé Maria deu já início à
sua obra como Messias, pregando por Lisboa e arredores a “Boa Nova.”
Um momento sem dúvida marcante foi o chamado “Sermão
da Buraca” em que Zé “Jesus” Maria usou pela
primeira vez a agora famosa parábola “Olhai os pretos na
obra.” |